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Mineração em xeque: como frete e petróleo criaram abismo entre Vale, CSN e Usiminas

Análise do Goldman Sachs mostra por que três empresas do mesmo setor reagem diferente ao mesmo cenário de custos

Por Redação A8 Notícias · 18 de setembro de 2026 às 07:52
Mineração em xeque: como frete e petróleo criaram abismo entre Vale, CSN e Usiminas

O cenário atual das commodities revelou uma realidade incômoda para o setor de mineração brasileiro: nem todas as empresas sofrem igualmente quando os custos sobem. Com minério de ferro em torno de US$ 95 por tonelada, frete spot Brasil-China em cerca de US$ 40 por tonelada e petróleo Brent em US$ 103 por barril, o Goldman Sachs identificou disparidades gritantes na capacidade de lucro entre Vale, CSN Mineração e Usiminas. A chave para entender essas diferenças está em três palavras: contratos de longo prazo, proteção contra riscos e, sobretudo, o ponto de equilíbrio de cada operação.

Por que frete e petróleo importam tanto para o minerador? Quando uma mineradora exporta minério, ela não vende apenas a matéria-prima. O custo total inclui a extração, o transporte até o porto, o frete marítimo internacional e, frequentemente, energia para processar ou transportar o produto. O frete spot — aquele contratado no curto prazo — está mais de 100% acima da média histórica de dez anos. Isso significa que a mesma tonelada de minério que era rentável em 2024, quando o frete era mais barato, pode virar prejuízo hoje. O petróleo entra porque alimenta tanto os navios quanto as operações de mineração em terra.

O ponto de equilíbrio: a linha entre lucro e prejuízo Cada empresa precisa receber um preço mínimo por tonelada para cobrir seus custos operacionais — é o chamado breakeven ou ponto de equilíbrio. A Vale opera com ponto de equilíbrio em torno de US$ 63 por tonelada. A CSN Mineração, em cerca de US$ 97. A Usiminas, em até US$ 115 em 2027. Com o minério em torno de US$ 95, a conta muda de sinal conforme a empresa: a Vale opera com folga, enquanto CSN Mineração e Usiminas precisam de um minério mais caro do que o de hoje só para empatar.

Por que essas diferenças tão grandes? A resposta está em como cada empresa se protegeu. A Vale mantém cerca de 75% de seus volumes de exportação em contratos de longo prazo — acordos que fixam preço e frete antecipadamente, evitando surpresas. Além disso, cerca de 70% de sua exposição a petróleo em 2027 está protegida por hedge, ou seja, operações financeiras que travam preços futuros. É como contratar um seguro contra aumentos de custo. A CSN Mineração não tem esse conforto: sua exposição ao frete marítimo spot é integral, sem contrato de longo prazo, e não possui hedge de energia. Quando os custos sobem, ela sente na pele.

A Usiminas enfrenta problema ainda mais grave. Sua mineração também está exposta integralmente ao frete spot e sem proteção energética. Além disso, a suspensão da mina de Samambaia reduziu sua capacidade de produção em cerca de 30%, distribuindo custos fixos entre menos toneladas — elevando o custo unitário. O resultado no cenário de preços spot projeta um EBITDA de 2027 (medida de lucro operacional) negativo, ou seja, prejuízo puro.

Os números do Goldman Sachs ilustram a magnitude do problema. Para a Vale, se mantidos os preços spot de commodities, seu EBITDA de 2027 ficaria 15% abaixo do consenso de mercado — uma queda significativa, mas administrável. Para a CSN Mineração, o impacto chega a 109%, levando o resultado a território negativo. Para a Usiminas, a própria mineração fica operacionalmente deficitária. Os números se referem especificamente às operações de mineração de cada empresa no cenário projetado pelo banco, e não ao resultado consolidado das companhias.

O banco de investimento também aponta uma restrição estrutural: o custo marginal global da mineração subiu para cerca de US$ 95 por tonelada, contra aproximadamente US$ 75 em 2024. Mais de 200 milhões de toneladas de produção global operam com rentabilidade muito limitada ou até negativa. A oferta global de navios permanecerá apertada até pelo menos 2028, segundo projeções do Goldman Sachs, mantendo o frete elevado.

O que isso significa para o investidor

A análise revela que estar no mesmo setor não é garantia de exposição igual. A Vale se posicionou defensivamente com contratos e hedges. CSN Mineração e Usiminas seguem expostas ao preço de curto prazo do frete e da energia, e é essa exposição que aparece nas projeções do banco. Com base nessa leitura, o Goldman Sachs atribui recomendação de venda para CMIN3 e de compra para USIM5 — recomendações do banco, não do A8 Notícias, e que não levam em conta a situação de nenhum investidor em particular. O banco não divulgou preços-alvo no material analisado. Para quem acompanha esses papéis, a lição que fica é que o ponto de equilíbrio por tonelada e a estrutura de proteção contra custos explicam tanto do resultado quanto o próprio preço do minério.

Com informações de: InfoMoney
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Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.

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